Blog
Que tamanho deve ter um QR code impresso? A regra 10:1 e o piso de 25 mm
O código funcionou na tela. Funcionou na folha A4 em cima da mesa, com o celular a vinte centímetros. Colado no quadro elétrico, com a pessoa em pé a meio metro, celular numa mão e prancheta na outra, não funciona mais — ou funciona na terceira tentativa, que em campo é a mesma coisa que não funcionar.
Quase toda discussão sobre tamanho de QR code fala do tamanho do código, e essa é a métrica errada. A câmera não enxerga o código: ela enxerga cada quadradinho, e precisa de alguns pixels em cima de cada um deles para distinguir claro de escuro. O número que decide se um código lê ou não lê é o tamanho do módulo, o quadradinho. O tamanho do código é apenas a forma mais fácil de chegar nele.
Resposta curta: um décimo da maior distância de leitura, mais 30% se o lugar for externo ou sujo, e nunca menos de 25 mm. O resto deste texto é por que essas três regras existem e quando cada uma delas quebra.
A regra 10:1, e por que ela é generosa de propósito
A regra prática do setor: a largura do código deve ser pelo menos um décimo da maior distância de leitura prevista. Um metro de distância pede 10 cm de código.
Vale entender de onde ela vem, porque é isso que explica quando ela pode
ser esticada e quando precisa ser reforçada. O que a câmera precisa é de
pixels por módulo:
leitores industriais trabalham a partir de uns 2,5; para celular em campo,
com autofoco lutando e a mão tremendo, a faixa realista é de 3 a 5. Com uma
câmera de celular típica, campo de visão horizontal de uns 67° e o
aplicativo lendo o preview a 1920 px de largura — não os 12 MP do sensor,
que só valem para a foto —, cada pixel projetado a uma distância d mede
cerca de d/1450. Três pixels por módulo pedem um módulo de d/485, e um
código de 29 módulos de lado fecha em d/17.
Ou seja: o limite físico está perto de 17:1 — a um metro de distância, uns 6 cm de código — e o mercado recomenda 10:1, que à mesma distância pede 10 cm. A diferença, entre 1,5 e 2 vezes de folga, não é exagero de fabricante. É a reserva que vai ser gasta em desfoque de movimento, luz ruim, poeira, risco, ângulo, ganho de tinta e no fato de que ninguém enquadra o código no centro da tela. Quem imprime a 15:1 porque testou na mesa e funcionou não ganhou eficiência: gastou a reserva de durabilidade no dia da instalação, e é o primeiro código a parar de ler quando a superfície sujar.
A tabela de tamanho por distância de leitura
| Distância de leitura | Mínimo 10:1 | Externo / sujo (+30%) | Situação típica |
|---|---|---|---|
| 20 cm | 2,0 cm | 2,6 cm | Etiqueta de patrimônio, equipamento de bancada |
| 30 cm | 3,0 cm | 4,0 cm | Quadro elétrico, medidor, extintor |
| 50 cm | 5,0 cm | 6,5 cm | Máquina, bomba, ar-condicionado |
| 1 m | 10 cm | 13 cm | Placa de porta, casa de máquinas, elevador |
| 2 m | 20 cm | 26 cm | Portaria, fachada, tapume de obra |
| 3 m | 30 cm | 40 cm | Placa alta, galpão, doca |
| 5 m | 50 cm | 65 cm | Fachada de obra, sinalização de pátio |
| 10 m | 1,0 m | 1,3 m | Empena, outdoor, silo |
Três observações sobre como usar essa tabela. A distância que importa é a maior distância real de leitura, medida com alguém em pé no lugar onde a pessoa vai estar — não a distância confortável de quem está com a régua na mão. A coluna de 30% a mais (arredondada para cima) não é para “caso queira”: ela vale sempre que houver sol, chuva, poeira, graxa ou tráfego de pessoas, que é a descrição de praticamente todo lugar onde vale a pena colar um código. E os números acima são a largura do código, não da etiqueta: some quatro módulos livres de cada lado, cerca de 28% a mais de lado, pelo motivo explicado três seções abaixo.
Uma ressalva que a primeira linha da tabela parece autorizar e não autoriza: nenhuma dessas linhas justifica descer de 25 mm em código para público geral. O porquê é a próxima seção.
O piso de 25 mm, onde quem desiste é o celular
Existe um limite que a regra 10:1 não captura, e ele derruba justamente as etiquetas pequenas de patrimônio.
Câmeras de celular têm distância mínima de foco. Aparelhos com sensor grande — a maioria dos topos de linha recentes — não focam a menos de 8 a 12 cm sem modo macro, e o modo macro nem sempre é acionado pelo aplicativo de leitura. Uma etiqueta de 12 mm autoriza, pela regra, leitura a 12 cm. Só que ninguém escaneia assim: a pessoa aproxima o telefone até 6 ou 7 cm procurando enquadrar o código minúsculo, o aparelho desiste do foco, e a conclusão dela é que o código está com defeito.
Por isso, para qualquer código que vá ser lido por público geral — morador, hóspede, visitante, técnico terceirizado — não desça de 25 mm de lado, mesmo quando a distância de leitura permitir. Abaixo disso, quem decide se funciona é o aparelho de quem escaneia, e esse é justamente o fator que você não controla.
O número que realmente manda: o módulo
Os 25 mm são o limite do aparelho. Existe um segundo piso, independente dele, e é ele que decide na prática:
| Contexto | Módulo mínimo | Por quê |
|---|---|---|
| Industrial, leitor dedicado e luz fixa | 0,25–0,4 mm | Óptica e iluminação são projetadas para o código |
| Interno, celular, boa luz | ≥ 0,6 mm | Abaixo disso a leitura vira loteria de aparelho |
| Externo ou público | ≥ 1,0 mm | Precisa aguentar luz ruim, ângulo e sujeira |
| Sujeira ou dano previsível | ≥ 1,5 mm | Módulo grande é o que sobra depois do risco |
A conta é direta: módulo = largura do código ÷ número de módulos por lado. E o número de módulos por lado depende da versão do código, que depende do que você escreveu dentro dele. Versão 1 tem 21 × 21 módulos, e cada versão seguinte soma 4 — versão 3 tem 29, versão 4 tem 33, versão 6 tem 41.
Os dois pisos não são o mesmo número. Uma etiqueta de 25 mm com um código versão 3 dá módulo de 0,86 mm, abaixo da linha de 1,0 mm da tabela: para uso externo ou público, esse mesmo código quer uns 29 mm. Os 25 mm são o mínimo absoluto abaixo do qual nada funciona de forma confiável; o módulo é o alvo.
É aqui que dois códigos do mesmo tamanho físico deixam de ser equivalentes.
Um endereço de 29 caracteres, escrito todo em maiúsculas, cabe numa grade
de 29 × 29 módulos — a versão 3. O mesmo endereço com ?utm_source= e
companhia pendurados vai para 41 ou 45 módulos, e o módulo encolhe cerca de
um terço sem que a etiqueta tenha mudado um milímetro. Uma URL curta não é
preciosismo estético, é engenharia — e é por isso que um endereço próprio e
curto, num domínio seu, vale mais numa peça permanente do que qualquer link
rastreável.
Pelo mesmo mecanismo, subir o nível de correção de erro pode piorar o código: a redundância ocupa espaço, o espaço pode empurrar a versão para cima e, num tamanho de impressão fixo, você troca pontos percentuais de recuperação por módulos menores. O nível Q costuma ser o ponto certo para uso externo e industrial, e H se justifica quando há logo no centro. As maiúsculas, por sua vez, devolvem módulo porque mudam o modo de codificação — desde que o caminho do endereço também nasça em maiúsculas, já que domínio é insensível a maiúsculas e caminho não é. Cada um desses dois assuntos tem números próprios e rende um texto próprio.
A zona de silêncio faz parte do tamanho
A especificação do QR code — a ISO/IEC 18004 — exige uma margem livre de quatro módulos nos quatro lados, com a mesma refletância dos módulos claros. Não é respiro gráfico: é o que permite ao decodificador saber onde o símbolo termina. É também a regra mais violada do mercado — moldura colada rente ao código, texto de chamada encostado, código dentro de um retângulo colorido.
Na prática isso muda a especificação da etiqueta: um código versão 3 de 30 mm precisa de uma área impressa livre de cerca de 38 mm de lado, ~28% a mais. Se a etiqueta tem texto, logo ou borda, tudo isso fica fora dos quatro módulos e soma área além deles. Quem dimensiona a etiqueta pelo tamanho do código quase sempre acaba comendo a zona de silêncio no fechamento da arte.
Superfície curva muda a conta
O decodificador corrige perspectiva plana, não cilindro: a tolerância prática fica entre 10° e 30° de arco ao longo da largura do código, dependendo do decodificador. Num tubo fino isso empurra o código para baixo — e código pequeno esbarra no piso de 25 mm da seção anterior. A saída quase nunca é curvar o código: é planificar o suporte, com uma plaqueta plana presa por abraçadeira ou uma aba reta. O resto das regras de superfície curva rende outro texto.
O procedimento inteiro, em seis passos
- Meça a maior distância real de leitura, com alguém em pé no lugar.
- Divida por 10.
- Acrescente 30% se houver sol, chuva, poeira, graxa ou tráfego.
- Nunca desça de 25 mm de lado em código para público geral.
- Divida a largura pelo número de módulos e compare com o piso de módulo da tabela acima. Se não passar, encurte o endereço antes de aumentar a etiqueta.
- Some quatro módulos de cada lado ao definir o tamanho da etiqueta, e mande o arquivo em vetor — o gerador aqui do site exporta SVG, que é o que a gráfica precisa para ampliar sem perder nitidez.
Depois disso, imprima cinco antes de imprimir mil e teste no lugar definitivo, na altura e no ângulo definitivos, com o pior celular disponível — não com o seu. Esse protocolo, e as três escolhas que decidem se a etiqueta vai durar seis meses ou cinco anos, estão no post sobre durabilidade.
E aí acaba o que o tamanho resolve
Acertar o tamanho compra uma coisa só, e ela é indispensável: quem está parado na frente do equipamento abre a página na primeira tentativa, sem instalar nada e sem pedir ajuda a ninguém. Até aqui tudo é milímetro, e milímetro se especifica.
O que não tem medida é o que aparece depois. Um código de 40 mm em poliéster com resina, zona de silêncio correta e módulo de 1,4 mm tem vida útil realista de dois a sete anos, dependendo da exposição — e pode passar esses anos todos abrindo a mesma página genérica que os outros trezentos códigos do prédio. Etiqueta nós não imprimimos: isso a sua gráfica faz bem, e a página sobre etiquetas de patrimônio explica o que pedir a ela. A pergunta que sobra não é de régua: esse código, colado nessa bomba, abre o quê?
Perguntas frequentes
Qual o tamanho mínimo de um QR code impresso?
A regra do setor é 10:1 — o código precisa ter pelo menos um décimo da maior distância de leitura prevista. Para leitura a 30 cm, 3 cm de lado; a 1 metro, 10 cm; a 3 metros, 30 cm. Em ambiente externo ou sujo, acrescente 30%. Esses números são a largura do código: a etiqueta impressa precisa de mais quatro módulos livres de cada lado, cerca de 28% a mais de lado. E existe um piso independente da distância: para código lido por público geral, não desça de 25 mm de lado, porque abaixo disso a limitação passa a ser a distância mínima de foco da câmera do celular.
Por que meu QR code pequeno não escaneia mesmo estando dentro da regra 10:1?
Porque a pessoa aproxima o telefone mais do que a regra pede. Uma etiqueta de 12 mm autoriza leitura a 12 cm, mas quem escaneia chega a 6 ou 7 cm tentando enquadrar — e câmeras de celular com sensor grande não focam a menos de 8 a 12 cm sem modo macro. O código fica borrado, e o que era uma decisão de impressão parece defeito do aplicativo.
O que muda o tamanho de um QR code além da distância de leitura?
O que está escrito dentro dele. Cada caractere a mais pode empurrar o código para a versão seguinte, com mais módulos na mesma área impressa e, portanto, módulos menores. Um endereço de 29 caracteres escrito todo em maiúsculas cabe numa grade de 29 × 29 módulos; o mesmo endereço com parâmetros de campanha pendurados vai para 41 ou 45 módulos e perde cerca de um terço do tamanho de módulo, sem que a etiqueta tenha mudado de tamanho.